Na manhã de 15 de janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) compareceu à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para conceder entrevista à imprensa. O filho mais velho do ex‑presidente Jair Bolsonaro reiterou que sua pré‑candidatura à Presidência, anunciada em outubro passado, é “irrevogável” e que “não vai ter outra possibilidade de candidatura”. A declaração vem em um momento de intensas movimentações internas no campo conservador, que busca consolidar um único candidato de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Flávio também abordou a questão das possíveis fissuras dentro do bloco bolsonarista. Em relação à ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador enfatizou que “vou continuar trabalhando pela unidade do nosso grupo, respeitando o tempo de cada um”. A mensagem indica a intenção de evitar uma disputa que poderia fragmentar o eleitorado de direita e favorecer a reeleição de Lula, cujas políticas econômicas têm sido alvo de críticas de setores empresariais e financeiros.
Os mercados reagiram rapidamente ao anúncio. Analistas apontam que a escolha de Flávio, considerado mais jovem e menos experiente em negociações de centro‑direita, pode reduzir a atratividade do bloco perante eleitores moderados. Na bolsa, o Ibovespa recuou 0,6% nas primeiras horas após a entrevista, enquanto o dólar subiu 0,3%, reflexo da percepção de maior risco político.
Dados da pesquisa Genial/Quaest mostram Flávio à frente de Tarcísio no primeiro turno, mas com margem estreita. Nas simulações de segundo turno contra Lula, a vantagem de Flávio cai para menos de 5 pontos, enquanto Tarcísio apresenta diferença de 12 pontos. O cenário indica que a unidade do bloco será decisiva para melhorar as perspectivas de vitória nas urnas.
Jair Bolsonaro permanece detido, cumprindo pena de 27 anos por tentativa de golpe, e está inelegível até 2030, decisão confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Apesar da impossibilidade de concorrer, o ex‑presidente continua exercendo influência sobre a base bolsonarista, o que torna a busca por coesão entre Flávio, Michelle e Tarcísio um ponto central da estratégia de oposição.
O futuro da disputa presidencial dependerá, em grande medida, da capacidade de Flávio Bolsonaro de articular alianças, apresentar um programa econômico que converse com os setores críticos ao governo e manter o bloco conservador unido até o pleito de outubro.